{"id":47,"date":"2026-08-27T19:48:43","date_gmt":"2026-08-27T22:48:43","guid":{"rendered":"https:\/\/asbc.tv.br\/?p=47"},"modified":"2026-08-27T19:48:43","modified_gmt":"2026-08-27T22:48:43","slug":"por-onde-comecar-a-ler-machado-de-assis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asbc.tv.br\/?p=47","title":{"rendered":"Por onde come\u00e7ar a ler Machado de Assis?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Especialistas na obra do &#8220;Bruxo do Cosme Velho&#8221; indicam contos e romances que podem servir como &#8220;porta de entrada&#8221; para os leitores do s\u00e9culo 21.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=https:\/\/p.dw.com\/p\/5BB7c%3Fat_medium%3DSocialMedia%26at_campaign%3DFacebook%26at_share_source%3DSharingButton%26at_origin%3DWeb\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\"><\/a><a href=\"https:\/\/x.com\/intent\/tweet?source=webclient&amp;text=Por%20onde%20come%C3%A7ar%20a%20ler%20Machado%20de%20Assis%3F+https:\/\/p.dw.com\/p\/5BB7c%3Fat_medium%3DSocialMedia%26at_campaign%3DTwitter%26at_share_source%3DSharingButton%26at_origin%3DWeb\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"whatsapp:\/\/send?text=Por%20onde%20come%C3%A7ar%20a%20ler%20Machado%20de%20Assis%3F%20-%20https:\/\/p.dw.com\/p\/5BB7c%3Fat_medium%3DMessenger%26at_campaign%3DWhatsApp%26at_share_source%3DSharingButton%26at_origin%3DWeb\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\"><\/a><a href=\"mailto:?body=https:\/\/p.dw.com\/p\/5BB7c%3Fat_medium%3DWebmails%26at_campaign%3DEmail%26at_share_source%3DSharingButton%26at_origin%3DWeb&amp;subject=Por%20onde%20come%C3%A7ar%20a%20ler%20Machado%20de%20Assis%3F\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\"><\/a><a href=\"https:\/\/share.flipboard.com\/bookmarklet\/popout?v=2&amp;title=Por%20onde%20come%C3%A7ar%20a%20ler%20Machado%20de%20Assis%3F&amp;url=https:\/\/p.dw.com\/p\/5BB7c%3Fat_medium%3DSocialMedia%26at_campaign%3DFlipboard%26at_share_source%3DSharingButton%26at_origin%3DWeb\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/shareArticle?mini=true&amp;url=https:\/\/p.dw.com\/p\/5BB7c%3Fat_medium%3DSocialMedia%26at_campaign%3DLinkedIn%26at_share_source%3DSharingButton%26at_origin%3DWeb&amp;title=Por%20onde%20come%C3%A7ar%20a%20ler%20Machado%20de%20Assis%3F&amp;source=DW.COM\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\"><\/a><a href=\"https:\/\/telegram.me\/share\/url?url=https:\/\/p.dw.com\/p\/5BB7c%3Fat_medium%3DMessenger%26at_campaign%3DTelegram%26at_share_source%3DSharingButton%26at_origin%3DWeb&amp;text=Por%20onde%20come%C3%A7ar%20a%20ler%20Machado%20de%20Assis%3F\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.reddit.com\/submit?url=https:\/\/p.dw.com\/p\/5BB7c%3Fat_medium%3DSocialMedia%26at_campaign%3DReddit%26at_share_source%3DSharingButton%26at_origin%3DWeb\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\"><\/a><a href=\"fb-messenger:\/\/share\/?link=https:\/\/p.dw.com\/p\/5BB7c%3Fat_medium%3DMessenger%26at_campaign%3DFacebookMessenger%26at_share_source%3DSharingButton%26at_origin%3DWeb\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\"><\/a><a href=\"sms:?&amp;body=https:\/\/p.dw.com\/p\/5BB7c%3Fat_medium%3DSMS%26at_campaign%3DSMS%26at_share_source%3DSharingButton%26at_origin%3DWeb\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com apenas dez anos, Maria Val\u00e9ria Rezende j\u00e1 tinha lido e relido todos os infantojuvenis das bibliotecas de Santos (SP), onde nasceu. Por essa raz\u00e3o, pediu mais e mais livros aos pais. Na esperan\u00e7a de que a filha os deixasse em paz, eles resolveram presente\u00e1-la com&nbsp;cl\u00e1ssicos&nbsp;de &#8220;gente grande\u201d:&nbsp;<em>A M\u00e3o e a Luva<\/em>&nbsp;(1874),&nbsp;<em>Helena<\/em>&nbsp;(1876) e&nbsp;<em>Iai\u00e1 Garcia<\/em>&nbsp;(1878), tr\u00eas romances de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/machado-de-assis\/t-36653174\">Machado de Assis<\/a>. &#8220;Imaginavam que eu demoraria a l\u00ea-los, mas eu os devorei e, na semana seguinte, pedi mais&#8221;, recorda essa paulista de 83 anos. &#8220;Quem sabe tamb\u00e9m tenham esse efeito para os jovens de hoje?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por onde os jovens de hoje, como diz a autora de&nbsp;<em>Quarenta Dias e Outros Cantos<\/em>, devem come\u00e7ar a ler a obra do &#8220;Bruxo do Cosme Velho&#8221;? Pelos contos, sugere H\u00e9lio de Seixas Guimar\u00e3es, doutor em teoria e hist\u00f3ria liter\u00e1ria pela Unicamp. E recomenda tr\u00eas t\u00edtulos:&nbsp;<em>A Cartomante<\/em>&nbsp;(1884),&nbsp;<em>Caso da Vara<\/em>&nbsp;(1891) e&nbsp;<em>Pai Contra M\u00e3e<\/em>&nbsp;(1906). &#8220;N\u00e3o s\u00f3 por serem mais curtos, mas pelo efeito poderoso que podem produzir sobre o leitor\u201d, afirma o organizador da cole\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>Todos os Livros de Machado de Assis<\/em>. &#8220;Nos fazem questionar o que far\u00edamos se estiv\u00e9ssemos no lugar das personagens&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-x-large-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Obra que n\u00e3o envelhece<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Organizadora do box&nbsp;<em>Escritor por Escritor: Machado de Assis Segundo Seus Pares<\/em>, Ieda Lebensztayn concorda que os contos do autor s\u00e3o &#8220;uma \u00f3tima porta de entrada para os jovens\u201d e recomenda a leitura de mais tr\u00eas:&nbsp;<em>Teoria do Medalh\u00e3o<\/em>&nbsp;(1881),&nbsp;<em>A Igreja do Diabo<\/em>&nbsp;(1883) e&nbsp;<em>Missa do Galo<\/em>&nbsp;(1894). No livro&nbsp;<em>Missa do Galo: Varia\u00e7\u00f5es sobre o Mesmo Tema<\/em>&nbsp;(1977), o conto foi recriado por autores como Autran Dourado, Lygia Fagundes Telles e N\u00e9lida Pi\u00f1on. &#8220;N\u00f3s envelhecemos\u201d, afirma a doutora em literatura brasileira pela USP, &#8220;a obra de Machado de Assis, jamais!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Primeiro, os contos; depois, os romances. \u00c9 a sugest\u00e3o de Cl\u00e1udio Soares, autor da biografia&nbsp;<em>Machado \u2013 O Filho do Inverno<\/em>. Segundo o roteiro tra\u00e7ado pelo jornalista, os jovens podem come\u00e7ar por&nbsp;<em>A Missa do Galo<\/em>&nbsp;(1894), avan\u00e7ar para&nbsp;<em>Dom Casmurro<\/em>&nbsp;(1899) e chegar a&nbsp;<em>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/em>&nbsp;(1881). &#8220;Enquanto Dom Casmurro transformou a ambiguidade de Capitu em um enigma, a ironia de Br\u00e1s Cubas se converteu em instrumento de disseca\u00e7\u00e3o da alma\u201d, analisa. Entre os romances, Guimar\u00e3es destaca&nbsp;<em>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas<\/em>&nbsp;e Lebensztayn,&nbsp;<em>Quincas Borba<\/em>&nbsp;(1891).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A<em>\u00a0booktoker<\/em>\u00a0(influenciadora digital especializada em literatura) americana Courtney Novak percorreu o caminho inverso do <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">roteiro de Soares. Come\u00e7ou a ler a obra de Machado por\u00a0<em>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/em>, que classificou como &#8220;melhor livro do mundo\u201d em um v\u00eddeo nas redes sociais, e emendou a leitura de\u00a0<em>Dom Casmurro<\/em>. &#8220;\u00c9 o melhor livro do mundo? Claro que n\u00e3o! Tal livro n\u00e3o existe. Mas, em termos de aud\u00e1cia e originalidade, nada o superou. O que Machado fez \u00e9 incrivelmente moderno. A voz do narrador \u00e9 \u00edntima e devastadora ao mesmo tempo. Ent\u00e3o, sim. Defendo essa ideia com unhas e dentes\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem traduziu o&nbsp;<em>The Posthumous Memoirs of Br\u00e1s Cubas<\/em>&nbsp;lido por Novak foi&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/as-pessoas-precisam-estar-prontas-para-machado-diz-tradutora\/a-53830938\">Flora Thomson-DeVeaux<\/a>. &#8220;Foi o primeiro romance machadiano que li, e \u00e9 o meu xod\u00f3&#8221;, brinca a tradutora. Na hora de indicar livros do autor, faz duas recomenda\u00e7\u00f5es, admite, um tanto \u00f3bvias:&nbsp;<em>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas<\/em>, que considera &#8220;sensacional\u201d, e&nbsp;<em>Dom Casmurro<\/em>, que classifica como &#8220;obra-prima\u201d. &#8220;Minha maior recomenda\u00e7\u00e3o seria que os jovens n\u00e3o encarassem ele como muito s\u00e9rio, que tentassem perceber a leveza terr\u00edvel dele \u2013 terr\u00edvel porque, na hora em que a gente relaxa, ele enfia a navalha\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Machado de Assis n\u00e3o escreveu apenas contos ou romances. Publicou ainda teatro, poesia e cr\u00edtica. S\u00f3 de cr\u00f4nicas, estima-se, foram mais de 600! &#8220;S\u00e3o textos mais adequados ao f\u00f4lego de leitura dos jovens, acostumados \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o das redes&#8221;, explica Ana Chiara, doutora em letras pela PUC-Rio e organizadora de&nbsp;<em>Machado para Jovens Leitores<\/em>. Entre os romances,&nbsp;<em>Dom Casmurro<\/em>&nbsp;pode atrair pelo enredo de amor juvenil. &#8220;A \u00fanica d\u00favida \u00e9 se a ironia machadiana poder\u00e1 ser entendida neste mundo literal ou se precisar\u00e1 de um &#8216;kkk&#8217; ou de um &#8216;hahaha&#8217;&nbsp;aposto ao texto&#8221;, especula.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tempos modernos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O escritor fluminense Joaquim Maria Machado de Assis publicou seu primeiro livro em 1861:&nbsp;<em>Desencantos<\/em>, uma pe\u00e7a de teatro protagonizada por Clara de Sousa, uma vi\u00fava \u00e0s voltas com dois pretendentes. E o \u00faltimo em 1908:&nbsp;<em>Memorial de Aires<\/em>, romance sob a forma de di\u00e1rio, narrado por Jos\u00e9 da Costa Marcondes Aires. Mas, o que um escritor do s\u00e9culo 19 tem a ensinar ao leitor do s\u00e9culo 21?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muita coisa, responde H\u00e9lio de Seixas Guimar\u00e3es, que recorda uma passagem de&nbsp;<em>Pai Contra M\u00e3e<\/em>&nbsp;(1906), em que um homem livre trava uma luta corporal contra uma mulher escravizada no meio da rua. Naquele tempo, ca\u00e7adores tinham licen\u00e7a para capturar os fugitivos e devolv\u00ea-los aos seus senhores em troca de uma recompensa. &#8220;Quantas situa\u00e7\u00f5es de extrema viol\u00eancia vemos nas grandes cidades e seguimos, indiferentes?&#8221;, indaga Guimar\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"574\" src=\"https:\/\/asbc.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-1024x574.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-49\" srcset=\"https:\/\/asbc.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-1024x574.png 1024w, https:\/\/asbc.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-300x168.png 300w, https:\/\/asbc.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-768x430.png 768w, https:\/\/asbc.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image.png 1115w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Doutor em filologia e l\u00edngua portuguesa pela USP e organizador de&nbsp;<em>Machado de Assis para Principiantes<\/em>, Marcos Bagno n\u00e3o cita um trecho apenas, mas o conto completo. Segundo ele,&nbsp;<em>Pai Contra M\u00e3e<\/em>&nbsp;&#8220;se reproduz diariamente no Brasil de hoje, uma das sociedades mais racistas do mundo\u201d. &#8220;Machado de Assis \u00e9 um cl\u00e1ssico porque trata de temas universais e, portanto, atemporais\u201d, afirma Bagno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O bi\u00f3grafo Cl\u00e1udio Soares chama seu biografado de &#8220;contempor\u00e2neo do futuro&#8221;. E aponta&nbsp;<em>Teoria do Medalh\u00e3o<\/em>&nbsp;(1881) como exemplo de conto que n\u00e3o envelheceu. &#8220;Um pai aconselha o filho a evitar ideias pr\u00f3prias e a repetir lugares-comuns para alcan\u00e7ar prest\u00edgio&#8221;, descreve Soares. &#8220;Tal li\u00e7\u00e3o continua a falar ao mundo de hoje, em que a ignor\u00e2ncia e a fatuidade garantem o prest\u00edgio a pol\u00edticos e celebridades&#8221;, corrobora Ieda Lebensztayn.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C\u00e9sar Lobo ilustrou dois cl\u00e1ssicos machadianos:&nbsp;<em>O Alienista<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/em>, ambos adaptados por Luiz Ant\u00f4nio Aguiar. &#8220;Qual seria o limite entre a loucura e a sanidade?&#8221;, &#8220;Os loucos s\u00e3o os outros ou \u00e9 o alienista?&#8221; e &#8220;\u00c9 a sociedade que enlouquece as pessoas?&#8221;&nbsp;s\u00e3o algumas das provoca\u00e7\u00f5es do conto. &#8220;At\u00e9 hoje, n\u00e3o citamos Plat\u00e3o, Shakespeare e Nietzsche? Machado de Assis nunca deixar\u00e1 de ser relevante&#8221;, afirma o ilustrador.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Outras m\u00eddias<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Selton Mello n\u00e3o lembra mais quantos anos tinha quando leu&nbsp;<em>O Alienista<\/em>&nbsp;pela primeira vez. S\u00f3 lembra que ficou &#8220;doido&#8221;. T\u00e3o &#8220;doido&#8221;&nbsp;que, em breve, planeja adapt\u00e1-lo para o cinema. Na tela grande, vai interpretar o personagem-t\u00edtulo: Sim\u00e3o Bacamarte. &#8220;\u00c9 a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho&#8221;, anuncia o ator nas redes sociais. &#8220;Sugest\u00e3o: vai ler o conto. Assim, voc\u00ea vai viajando, se familiarizando e sonhando com esse filme que, um dia, vai chegar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"577\" src=\"https:\/\/asbc.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-2-1024x577.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-51\" srcset=\"https:\/\/asbc.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-2-1024x577.png 1024w, https:\/\/asbc.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-2-300x169.png 300w, https:\/\/asbc.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-2-768x433.png 768w, https:\/\/asbc.tv.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-2.png 1111w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto o filme n\u00e3o chega aos cinemas, outros projetos baseados na obra de Machado de Assis ganham vida. O primeiro deles, ali\u00e1s, j\u00e1 chegou \u00e0s livrarias. No livro&nbsp;<em>Recapitula\u00e7\u00f5es<\/em>, Maria Val\u00e9ria Rezende prop\u00f5e novos desfechos para o romance&nbsp;<em>Dom Casmurro<\/em>&nbsp;(&#8220;Sempre suspeitei que Bentinho tinha mais a esconder do que Capitu\u2026&#8221;) e o conto&nbsp;<em>A Causa Secreta<\/em>&nbsp;(&#8220;Por que \u00e9 t\u00e3o diferente dos outros, que t\u00eam um toque de humor e ironia?&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No segundo semestre, ser\u00e1 a vez de&nbsp;<em>Quincas Borba<\/em>, adapta\u00e7\u00e3o para os quadrinhos do romance de 1891. O cl\u00e1ssico ser\u00e1 ilustrado por Thiago Souto. &#8220;A melhor maneira de adaptar Machado \u00e9 ser o mais fiel poss\u00edvel ao seu universo. N\u00e3o importa a m\u00eddia&#8221;, afirma o ilustrador C\u00e9sar Lobo. &#8220;Sempre houve essa discuss\u00e3o se a adapta\u00e7\u00e3o deveria modernizar a obra. Sou contra. O ideal \u00e9 retratar a sociedade da \u00e9poca como era. \u00c9 dessa estranheza que vem a reflex\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quincas Borba \u00e9 um dos textos que inspirou&nbsp;<em>A Investiga\u00e7\u00e3o P\u00f3stuma<\/em>. No game desenvolvido pelo Mother Gaia, o jogador investiga a morte do narrador de&nbsp;<em>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/em>. &#8220;Preso em um loop temporal, o detetive refaz sua investiga\u00e7\u00e3o repetidas vezes e, em cada uma delas, chega a uma conclus\u00e3o diferente&#8221;, adianta Felipe Bertozzo, um dos fundadores do est\u00fadio. &#8220;Embora n\u00e3o seja necess\u00e1ria, a leitura dos livros engradeceria a experi\u00eancia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o importa a adapta\u00e7\u00e3o: nenhuma delas substitui o original. Mas, pode, sim, despertar a curiosidade do jovem e estimular sua procura pela inspira\u00e7\u00e3o. Foi o que aconteceu com H\u00e9lio de Seixas Guimar\u00e3es. &#8220;Eu mesmo, aos 10 anos, comecei a assistir \u00e0s telenovelas da Globo que adaptavam cl\u00e1ssicos da literatura. Foram elas que me levaram \u00e0 leitura dos livros&#8221;, admite. Uma dessas novelas foi&nbsp;<em>Helena<\/em>&nbsp;(1975), adaptada por Gilberto Braga da obra de Machado de Assis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas na obra do &#8220;Bruxo do Cosme Velho&#8221; indicam contos e romances que podem servir como &#8220;porta de entrada&#8221; para os leitores do s\u00e9culo 21. Com apenas dez anos, Maria Val\u00e9ria Rezende j\u00e1 tinha lido e relido todos os infantojuvenis das bibliotecas de Santos (SP), onde nasceu. 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